Mundo
Festival de Avinhão: a festa do teatro e das perguntas
A cidade francesa de Avinhão está pronta para receber o maior festival de teatro do mundo. As ruas estão repletas de pontos de interrogação, desenhados a negro, num fundo amarelo.
Tiago Rodrigues, o diretor desta festa das artes cénicas quer que a edição deste ano, a octogésima, privilegie o futuro em detrimento da celebração da história do evento, e que seja também transformada “numa festa das perguntas”, promovendo a reflexão sobre os desafios do presente, entre eles a ascensão da extrema-direita e a defesa da liberdade de criação.
“Este festival já contou muitas vezes a sua própria história. Resolvemos olhar mais para o presente e para o futuro e celebrar esta edição fazendo uma festa das perguntas”, afirmou durante uma conversa com os correspondentes da RTP, em França, Rosário Salgueiro e Paulo Domingos Lourenço.
“O que nos seduz nos maus? O que nos fascina nos ditadores?”
Segundo Tiago Rodrigues, a programação foi construída para estimular o debate entre artistas e público, mantendo uma das características históricas do Festival de Avinhão: a discussão das questões levantadas pelos espetáculos em espaços públicos e nos encontros promovidos pela organização.
Este sábado, 4 de julho, a abertura do festival irá ter em palco Maldoror, de Julian Gosselin, uma criação inspirada em Lautréamont, poeta francês, e Roberto Bolaño, escritor chileno. Durante cinco horas, os atores abordam a relação entre a criação artística, a sociedade e o mal.
Segundo Tiago Rodrigues, a programação foi construída para estimular o debate entre artistas e público, mantendo uma das características históricas do Festival de Avinhão: a discussão das questões levantadas pelos espetáculos em espaços públicos e nos encontros promovidos pela organização.
Este sábado, 4 de julho, a abertura do festival irá ter em palco Maldoror, de Julian Gosselin, uma criação inspirada em Lautréamont, poeta francês, e Roberto Bolaño, escritor chileno. Durante cinco horas, os atores abordam a relação entre a criação artística, a sociedade e o mal.
Para o diretor de Avinhão, o espetáculo ganha particular atualidade num contexto de crescimento de movimentos populistas e da extrema-direita.
Maldoror quer contribuir para percebermos “O que é que nos fascina no horror? Porque é que o mundo se deixa, entre aspas, levar por esses populistas demagógicos, violentos, excessivos? O que é que é esta coisa? O que é que nos seduz nos maus? Também nos ditadores, nos prepotentes, nos autocratas? O que é que nos faz mover nessa direção? E somos muitos da espécie humana a deixarmos-mos levar nessa direção”, admitiu Tiago Rodrigues, acrescentando que o papel do festival não é fornecer respostas, mas criar condições para essa reflexão.
“Enquanto diretor do festival de Avinhão não trabalharei com a extrena-direita”
Questionado sobre o avanço eleitoral da extrema-direita em França e sobre a possibilidade de essa realidade afetar o Festival de Avinhão, Tiago Rodrigues, reiterou que não aceitará colaborar com responsáveis políticos da extrema-direita: “O que disse desde o início foi que, enquanto diretor do Festival de Avinhão, não trabalharei com eleitos da extrema-direita o que seria um problema, mas seria um problema para o eleito de extrema-direita. Eu continuo a ser diretor do festival. A minha responsabilidade é defender a missão do festival”.
O encenador português, o primeiro estrangeiro a dirigir Avinhão, justificou esta posição com aquilo que considera serem ataques à liberdade de criação artística em municípios franceses governados por forças da extrema-direita, referindo casos de censura e de restrições à atividade cultural.
No início do mês de junho a peça de teatro "Passaporte", de Alexis Michalik, uma história de viagens de imigrantes, foi cancelada em Castres, na região de Ocitânia, pela assembleia municipal liderada pelo RN (Rassemblement National) de Marine Le pen.
“O Festival de Avinhão opõe-se completamente a isso”, disse Tiago Rodrigues, acrescentando que a defesa da liberdade de criação e da liberdade de expressão será um dos temas centrais dos debates promovidos durante o festival deste ano.
Apesar da preocupação com a evolução política em França, o diretor considera que os resultados eleitorais recentes mostram que a extrema-direita ainda não conseguiu vencer as principais eleições nacionais e locais desde que assumiu a direção do festival. Explicando que “o anúncio de uma vitória inevitável da extrema-direita repete-se há vários anos. Devemos estar preocupados, mas também confiar na lucidez democrática dos franceses”.
Questionado sobre o avanço eleitoral da extrema-direita em França e sobre a possibilidade de essa realidade afetar o Festival de Avinhão, Tiago Rodrigues, reiterou que não aceitará colaborar com responsáveis políticos da extrema-direita: “O que disse desde o início foi que, enquanto diretor do Festival de Avinhão, não trabalharei com eleitos da extrema-direita o que seria um problema, mas seria um problema para o eleito de extrema-direita. Eu continuo a ser diretor do festival. A minha responsabilidade é defender a missão do festival”.
O encenador português, o primeiro estrangeiro a dirigir Avinhão, justificou esta posição com aquilo que considera serem ataques à liberdade de criação artística em municípios franceses governados por forças da extrema-direita, referindo casos de censura e de restrições à atividade cultural.
No início do mês de junho a peça de teatro "Passaporte", de Alexis Michalik, uma história de viagens de imigrantes, foi cancelada em Castres, na região de Ocitânia, pela assembleia municipal liderada pelo RN (Rassemblement National) de Marine Le pen.
“O Festival de Avinhão opõe-se completamente a isso”, disse Tiago Rodrigues, acrescentando que a defesa da liberdade de criação e da liberdade de expressão será um dos temas centrais dos debates promovidos durante o festival deste ano.
Apesar da preocupação com a evolução política em França, o diretor considera que os resultados eleitorais recentes mostram que a extrema-direita ainda não conseguiu vencer as principais eleições nacionais e locais desde que assumiu a direção do festival. Explicando que “o anúncio de uma vitória inevitável da extrema-direita repete-se há vários anos. Devemos estar preocupados, mas também confiar na lucidez democrática dos franceses”.
Coreia do sul é o país convidado para avinhão
Além da dimensão política, Tiago Rodrigues destacou a vocação internacional da programação. Este ano, a língua convidada é o coreano, numa escolha que pretende dar visibilidade ao teatro e à dança da Coreia do Sul, áreas menos conhecidas do público europeu.
“Conhecemos muito mal o teatro e a dança coreanos e o que eles nos permitem descobrir são coisas que não descobrimos noutras disciplinas artísticas. Uma forma de problematizar a sociedade coreana que é diferente e também uma proposta que eu acho muito singular e que vai julgo encantar e surpreender o público do festival, que é a harmonia entre tradição e inovação que nós encontramos no teatro, na dança, nas artes circenses, na música coreana. E eu acho que esta programação é precisamente isso, um gesto de harmonia entre tradição e inovação que vai surpreender o público”, admitiu esperançoso.
O diretor do festival na cidade dos Papas, confirmou ainda que mantém a intenção de dedicar uma futura edição do Festival de Avinhão à língua portuguesa. Com o mandato prolongado até 2030, garantiu que essa homenagem acontecerá antes do final da sua direção.
Além da dimensão política, Tiago Rodrigues destacou a vocação internacional da programação. Este ano, a língua convidada é o coreano, numa escolha que pretende dar visibilidade ao teatro e à dança da Coreia do Sul, áreas menos conhecidas do público europeu.
“Conhecemos muito mal o teatro e a dança coreanos e o que eles nos permitem descobrir são coisas que não descobrimos noutras disciplinas artísticas. Uma forma de problematizar a sociedade coreana que é diferente e também uma proposta que eu acho muito singular e que vai julgo encantar e surpreender o público do festival, que é a harmonia entre tradição e inovação que nós encontramos no teatro, na dança, nas artes circenses, na música coreana. E eu acho que esta programação é precisamente isso, um gesto de harmonia entre tradição e inovação que vai surpreender o público”, admitiu esperançoso.
O diretor do festival na cidade dos Papas, confirmou ainda que mantém a intenção de dedicar uma futura edição do Festival de Avinhão à língua portuguesa. Com o mandato prolongado até 2030, garantiu que essa homenagem acontecerá antes do final da sua direção.